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Marcelo Tas

Jornalista, comunicador e extra-terrestre

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Cortes em pesquisa e educação: futuro incerto

Desabafos no mundo acadêmico e até vaquinhas online revelam o drama de cientistas com os corte de verbas: os impactados pelo prejuízo seremos nós.

Entre tantos pedidos e desabafos que recebo, um deles tocou o coração deste filho de dois professores que ainda acredita na educação como ferramenta para transformação. Um professor me pede apoio para divulgar uma vaquinha online. O objetivo da caixinha é bancar os custos de viagem e estadia de professores de física de escolas públicas do ensino médio ao CERN, a famosa escola de física em Genebra responsável pelo polêmico grande colisor de hádrons.

O entusiasmo destes mestres escolhidos para o projeto virou frustração com as vacas magras que desequilibraram o planejamento da viagem. Os cortes recentes das verbas que levariam os professores à Suíça para conhecer o berço do acelerador de partículas virou uma corrida em um site de financiamento coletivo para arrecadar R$ 15 mil, uma maratona estacionada na metade do caminho.

Parece um fato isolado entre tantos apelos relevantes pelos sites de financiamento coletivo. No entanto, este episódio ilumina a série de cortes de verbas públicas que podam diretamente o fluxo de pesquisa e educação no país.

Aparas nos excessos de gastos são necessários. Especialmente em um país onde as receitas estão longe de bancar as despesas. Ainda assim, precisamos estar atentos ao efeito chicote. Como este impacto de suspensão de verbas para pesquisa e ensino vão reverberar no futuro.

Não precisa mergulhar em muitas páginas do Google para revelar amostras de notícias indicando cortes de fundos de apoio a pesquisa em vários estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Muitos deles, impactados pelo congelamento de 44% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para atingir a meta fiscal para 2017. 

O que o Governo talvez não tenha percebido é que estão ajustando um cobertor bem curto. Se cobrem parte do déficit por aqui, descobrem fundos de pesquisas relevantes como as realizadas pela UFRJ, UFMG e UFOP sobre dengue, zika, chikungunya e Chagas. 

O problema vai além da raiz. Entre aqueles pesquisadores que propõem um pedido de patente ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o prazo médio para receber um retorno é de quase 11 anos. Os EUA, por exemplo, leva 2 anos e meio para dar o veredito. Ao total, temos mais de duzentos mil pedidos de patente na fila para cerca de 300 pesquisadores dedicados aos exames. Ao mesmo tempo que o gargalo é alarmado, o INPI também sofre com os cortes de investimento lançando um balde de água fria entre os mais otimistas. 

Ainda assim, trago uma dose de esperança para o pessimismo não vingar. O portal de notícias UOL publicou nesta semana um destaque para o jovem João Paulo Guerra, de sete anos, que escreveu um livro e um jogo sobre o espaço. A mente deste pequeno que não cabe dentro deste planeta fez com que levasse um prêmio da NASA, além de bradar o título de homenageado mais novo do mundo a receber uma homenagem da agência espacial norte-americana. 

Precisamos nos inspirar em exemplos como de João Paulo.  Incentivar jovens brasileiros um mergulho do potencial criativo e inovador em pesquisas e realizações capazes de ascender o país tecnologicamente. Mas, para isso, requer investimento estável. O custo pode parecer elevado para quem visa apenas equilibrar balanços de receitas e despesas, mas o retorno é inestimável se visto em perspectiva com o olhar no futuro.

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