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Marcelo Tas

Jornalista, comunicador e extra-terrestre

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Discursos de ódio não curam a violência

Um bandido decapitar ou outro não deixa sua vizinhança mais segura. Pelo contrário.

A violência brutal entrou no nosso cotidiano. Como troco, não podemos devolver com a mesma moeda. O clima de posse de Trump enaltece um ícone da fricção de ódios. O discurso inflamado pela raiva não se limita aos EUA. Por aqui, o Brasil disputou o noticiário mundial com as chacinas em presídios de Manaus e Roraima.

Até agora, 99 pessoas morreram nesta história e este número ainda pode subir. Mais lamentável que presos decaptados é o coro de brasileiros que acha pouco e quer mais. É o assassinato do bom senso. O próprio então Secretário da Juventude Bruno Júlio disse em entrevista que desejava uma chacina desta por semana. A fala infeliz levou a sua demissão pedida pelo presidente Michel Temer, mas a opinião segue represando boa parcela dos brasileiros. 

No último dia de finados, 02 de novembro de 2016, fui eu o alvo deste discurso de ódio entoado pelos que defendem o “bandido bom é bandido morto”. A convite do artista Nuno Ramos, eu e 23 representantes da comunidade artística, acadêmica e outras bandas lemos durante 24 horas ininterruptas o nome dos 111 mortos na chacina do Carandiru. A ladainha foi transmitida ao vivo pelo Facebook atingindo pelo menos um milhão de pessoas. O que era um ato para protestar contra a anulação da condenação dos policiais envolvidos, virou alvo de crítica por aqueles que nos acusaram em transformar detentos em heróis. Calma lá. Longe disso. O caminho foi humanizar o que de fato é humano. Dar nome aos corpos é um ato de humanização. 

Por falar em Carandiru e policiais, durante minha fala nesta manhã na CBN, meu caro colega Milton Young leu um tweet de um ouvinte que questiona a falta de atenção dada aos policiais que perdem suas vidas devido à profissão. Bem lembrado e acrescento. Além de ofício ingrato, é feito em péssimas condições principalmente quando pensamos no nível de organização do crime. A questão que coloco não é o traje do corpo, mas a importância de avaliarmos o discurso do ódio a partir do cenário violento que nos surpreende. 

É importante entendermos a violência. Olhar para ela e aceitar a realidade violenta para transformá-la. Enganados estão aqueles que acreditam no saneamento da sacra terra com o derramamento de sangue entre detentos. A função do presídio é recuperação de condenados e preparo para a ressocialização. O que vemos é um microondas de preparo instantâneo de novos bandidos. Um upgrade do que já estava mal. É nesta raiz para onde devemos apontar nossa indignação.

Como nosso canteiro não é feito só de espinhos, encontrei uma matéria da BBC pra lá de inspiradora. Daryl Davis, um americano negro de 58 anos, se colocou em uma tarefa um tanto curiosa e corajosa desde os anos 1980: dialogar com os membros da Ku Klux Klan, aquele movimento racista que anda encapuzado pelos EUA carregando cruzes, agredindo negros, imigrantes e membros de minorias religiosas. O que muitos querem distância, Daryl Davis escolheu dialogar. 

Esta história começou quando ele tocava piano em uma banda country na qual era o único negro. Durante uma apresentação, um homem tentou elogiá-lo dizendo que nunca havia visto um negro tocar no nível de Jerry Lee Lewis. O que deveria soar agressivo, instigou o músico que decidiu sentar-se com seu novo fã. Foi quando o homem o revelou que era a primeira vez que dividia uma mesa de bar com alguém de pele escura. Para arrematar, confessou ser membro da KKK. 

Desde então, Daryl Davis escreve sobre os supremacistas e os procura para dialogar. Seu objetivo, segundo ele, não é converter ninguém. Apenas dar a oportunidade de diálogo e revisão de ideias. Mesmo assim, ele celebra já ter esvaziado as contas da Ku Klux Klan em pelo menos 200 membros. 

Não seria tempo de sentamos para um papo com os nossos rivais?

1 COMENTÁRIO

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  • Luana Della Crist

    09 Jan 2017, 13:28

    Não se pode querer paz falando em guerra. Creio