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Marcelo Tas

Jornalista, comunicador e extra-terrestre

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Cientistas "nerds" estudam e hackeiam o cérebro humano

Controlar a fome, curar a depressão e melhorar o desempenho de atletas olímpicos: avanços podem surgir de um laboratório em pela capital paulista

Não é só nos filmes de ficção científica. Em plena cidade de São Paulo, mais de cem cientistas de diversas áreas unem seus cérebros poderosos para aplicar na vida real as descobertas científicas.

O grupo se conecta no Laboratório Interdisciplinar de Neurociências Clínicas da Escola Paulista de Medicina, a Unifesp e na Disciplina de Neurociências, que desenvolve estudos em epilepsia. O nome extenso, carinhosamente resumido como LinC, inclui um time liderado pelo professor livre-docente da Unifesp, Álvaro Machado Dias, que conduz os pesquisadores dando espaço para cada um revelar seus talentos individuais. 

A convite do própio Dr. Álvaro, fui ver de perto o que esses nerds capazes de hackear nosso cérebro estão preparando. A chegada já sacudiu meus quase um quilo e meio de massa encefálica. 

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Neurocientistas da Unifesp, com o Dr. Álvaro (à direita).

Ludmila Tavares

Entre tatuados, cabeludos, tímidos e elegantes, a diversidade no visual revelava a composição heterogênea de gênios. Só havia algo em comum entre eles: o olhar focado nas descobertas científicas dos próprios colegas que se revezavam em apresentações de cinco minutos sobre o status de suas pesquisas. 

Melhorar o diagnóstico e tratamento de doenças como esquizofrenia e depressão é um dos focos coletivos. Com ajuda de eletrodos, pesquisa de remédios e estudo do comportamento dessas doenças em ratos criados no laboratório, o time vem colecionando avanços na área. 

Aumentar a inteligência é uma das possibilidades no horizonte do time. As alternativas vão de meditação no método mindfulness a estimulações cerebrais conhecidas como neuromodulação com estimulação magnética transcraniana. O método nada mais é do que dar choquinhos quase imperceptíveis nas áreas do cérebro a serem estimuladas. 

Até controlar a fome parece ser possível com o método. A pesquisadora Caroline Azevedo, mestranda da psiquiatria, busca formas de estimular o cérebro para controlar o apetite de pessoas que nunca querem parar de comer. Uma doença pouco conhecida chamada Prader Willi ou "síndrome da fome eterna".

Outro projeto que estimulou meu cérebro foi o apresentado pelo pesquisador Felipe Argolo, doutorando da psiquiatria, que procura desenvolver um aplicativo capaz de analisar a fala de um paciente e identificar se o discurso dele é estruturado ou completamente confuso orientando o médico sobre a possibilidade de desorientação do paciente avaliando a coerência ou não da fala.

Depois de tanta ginástica cerebral, chegou a hora de abrir o playground com as tranquitanas modernas e sentir na pele o poder da mente. Com a ajuda de um capacete que funciona como um eletroencefalograma, consegui manipular uma caixa no computador usando apenas minha mentalização. Uma sensação estranha, mas intuitiva ao mesmo tempo. 

Enquanto o grupo de pesquisadores avançam com novos métodos para entender e estimular nosso cérebro, a atenção para os novos dilemas éticos não saem do horizonte de pesquisa. Utilizar a neuromodulação para atletas olímpicos melhorarem seu foco pode configurar um tipo de doping 2.0? Como será regulamentado o uso do conhecimento sobre o cérebro humano a partir de leitura de big data e novos recursos em ascensão? Viver o presente, com atenção nas mudanças previstas para o amanhã atentos aos novos dilemas éticos. Uma sequência fundamental para acompanharmos como atores da transformação contemporânea.

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