Educativo e divertido por Marcelo Tas

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Marcelo Tas

Jornalista, comunicador e extra-terrestre

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O que fazer depois do ciberataque mundial?

Só há uma arma eficiente contra os ataques virtuais: mudar o comportamento no mundo real

Mais de 200 mil computadores de 150 países foram atacados pelo mesmo ataque de hacker desde a última sexta-feira. O que todas as vítimas têm em comum? A vulnerabilidade digital.

Em outras palavras, podemos concluir que pelo menos 200 mil pessoas ao redor do mundo clicaram em algum link indevido e não atualizaram o Windows. Isso porque essas foram as condições fundamentais para o hacker sequestrar seus dados.

Não importa a classe social, gênero ou etnia. O sistema do hacker saiu sequestrando dados de usuários vulneráveis de forma aleatória. As vítimas ligaram seus computadores e receberam o aviso de que os dados do computador foram criptografados – codificados de tal forma que o usuário não poderia acessá-los – e que só poderia voltar a ter domínio dos dados do computador se pagasse a quantia de 300 dólares para uma carteira digital de bitcoins do hacker. Como o bitcoin não revela o dono da conta, a transferência protege a privacidade do sequestrador de informações.

É impossível precisar a quantia exata que a ação conseguiu faturar com os resgates devido o modelo de privacidade do Bitcoin. Mas o alcance massivo e espalhado pelo mapa já faz especialistas consideraram o ato como um dos maiores já realizados no histórico de crimes digitais.

Apesar do alarde do caso, o episódio parece quase pequeno quando pensamos sobre o potencial de novos ataques. Enquanto conectamos nossas informações, memórias, casa, carro, câmeras e até corpos à Internet, os hackers estão avançando na descoberta das brechas. Quem parou no tempo fomos nós.

A neura do “acho que esqueci de trancar a porta de casa” já bateu em todo mundo. Aprendemos que se não cuidarmos das nossas portas e fronteiras, um oportunista vai aproveitar a oportunidade.

O universo digital caminha na mesma lógica. Em vez de tetrachaves e cercas elétricas, a criptografia, senhas e proteções contra ataques são nossos escudos contra invasores.

A educação para acessar a rede precisa ser levada a sério e incluída nas escolas, jantares de família, treinamentos de empresa e nas pautas de Governo.

Chapeuzinho Vermelho. Uma história do século XIV que basicamente ensina o cuidado ao lidarmos com estranhos. Charles Perrault, autor do conto, não precisa reencarnar para educar as crianças que o novo lobo mau pode ser um convite para mudar a cor do seu Whatsapp clicando em um link suspeito. Precisamos construir a história adaptada para educar a nova geração.

A vulnerabilidade não afeta apenas os ultra-conectados. Qualquer câmera controlada por Wi-Fi pode ser hackeada se não tiver uma senha segura protegendo. Não precisa ser tão nerd para deduzir que a senha da maioria das lentes que filmam nossas intimidades seja 0000 ou 1234.

O que os hackers fazem? Simplesmente mandam robôs baterem na porta de cada uma dessas câmeras conectadas com um molho padrão de chaves, ou seja, as senhas mais obvias. Quem não tiver trocado o número para um padrão mais seguro pode estar sendo vigiado por um desocupado em qualquer parte do mundo ou virado conteúdo de entretenimento de sites como o insecam.org que transmite ao vivo o conteúdo de webcams do mundo inteiro.

Na guerra de ataques virtuais, não somos meros observadores. Podemos assumir o papel de protagonistas e contra-atacar com a mesma arma eficaz para tantos outros crimes chamada educação.

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